quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Milton Dacosta

Obra: Roda
Nascido em 1915 em Niterói, foi um artista precoce. Sua primeira participação no SalãoNacional de Belas-Artes se deu em 1933, e sua primeira mostra individual realizou-se em1936, na Galeria Santo Antônio, no Rio. Dacosta estudou na Escola Nacional de Belas-Artes, onde foi aluno de Marques Júnior. Suas primeiras produções, paisagens de cunho naturalista, são exercícios de um rapaz de pouco mais de 15 anos, nos quais já se evidenciavam certas qualidades como um agudo senso de construção formal, uma tendência inata a captar oessencial das coisas, o horror ao regional, ao folclórico e ao anedótico. Por volta de 1940, Dacosta abandonou sua primeira maneira e, sob influência da Escola de Paris, iniciou uma nova fase, marcada pela influência de Cézanne, Modigliani, De Chirico e, entre os brasileiros,Portinari. Essa influência se mostra presente em sua tendência construtiva, sua atmosferararefeita em certos quadros, e nos pescoços longos e nas cabeças ovaladas de seus
ciclistas e banhistas além do despojamento e severidade de certas naturezas mortas. A influência maior, contudo, proveio do Cubismo, mas de um cubismo adaptado à circunstância brasileira e às peculiaridades do temperamento do pintor. Foi essa paixão pelo cubismo que fez Dacosta substituir gradualmete o Impressionistmo de suas primeiras obras por uma arte mais extruturada, mais construída. Em 1955, recebeu o prêmio de melhor pintor brasileiro naBienal de São Paulo e de viagem ao estrangeiro no Salão de Belas-Artes de 1944. Várias vezes expôs individualmente e participou de mostras coletivas. Teve salas especiais na VIBienal de São Paulo, em 1961, e nas I Bienal da Bahia, em 1966.

Lasar Segall

Pintor, escultor, desenhista e gravador, Lasar Segall nasceu em 1891 em Vilna, naLituânia, e nessa cidade (então parte integrante do território russo) deu início ao seuaprendizado, com o escultor e gravador Markus Antokolski. Em 1906 emigrou para a Alemanha, estudando na Academia de Belas-Artes de Berlim entre 1907 e 1909, quando foidesligado por ter participado da
Obra: Encontro
Freie Sezession  — uma exposição de artistasdescompromissados com a estética oficial — na qual conquistou o Prémio Max Liebermanu.Em 1910 transferiu-se para Dresden, freqíientando a Academia de Belas-Artes local naqualidade de Meisterschúller (aluno instrutor), dispondo de atéliê próprio e de plena liberdadede expressão. Em Dresden, no mesmo ano, realizou sua primeira mostra individual, compinturas ainda fortemente marcadas pelo Impressionismo de Liebermann. Tinha Segall cercade vinte anos quando começou a se afastar gradativamente da influência de Liebermann e ase aproximar do Expressionismo. Sempre em busca de novos caminhos, estava em 1912 nosPaíses Baixos, e em 1913 aventurou-se até o Brasil, onde realizou a primeira exposição dearte moderna. No mesmo ano retornou à Alemanha; em 1914, cidadão russo que era, foiinternado num campo de concentração. Essa amarga experiência lhe serviria, anos maistarde, na abordagem de alguns de seus quadros mais trágicos, inspirados pela guerra de1939. Até 1923 Segall permaneceu na Alemanha, onde publicou quatro álbuns de litografias eáguas-fortes e realizou exposiç6es individuais em Hagen (1920), Frankfurt (1921) e Leipzig(1923). A Alemanha vencida proporcionava-lhe campo propicio ao trágico e rudeExpressionismo dc sua mocidade. Aos 32 anos, já senhor de sua técnica, praticava urnatemática pessoal: velhos leitores do Talmude, camponeses e mendigos, indigentes e crianças,evocações da terra natal e retratos de parentes e intelectuais, auto-retratos. Seu desenho éincisivo e anguloso; o colorido, forte e cru, O corpo humano é deformado de modo a melhorevocar paixões e sofrimento. Em 1923, decidiu voltar ao Brasil, radicando-se definitivamenteem São Paulo, onde, no ano seguinte, efetuou nova mostra individual, e realizou a decoraçãodo Pavilhão de Arte Moderna de Dona Olivia Guedes Penteado. Casando-se em 1925 comuma discípula, Jenny Klabín, adotou como sua a nova terra, naturalizando-se mais tardecidadão brasileiro. Ao mesmo tempo, deu inicio às pinturas de temática brasileira — mulatascom filhos ao colo, marinheiros e prostitutas, favelas e bananeiras — expostas em 1926 emBerlim, Dresden e Stuttgart, em 1927cm São Paulo em 1928 no Rio de Janeiro. Em 1929Segall passou a esculpir, criando, em madeira, pedra e gesso, as mesmas figuras sofridas esolitárias que já eternizara em pinturas, desenhos e gravuras. Cabe recordar que seu primeiromestre, Antokolski, foi. um dos mais importantes escultores russos do século XIX: sua obra,influenciada por Rodin, oscila entre os temas judaicos e as grandes personagens da históriarussa, sem falar nos mártires e santos do cristianismo, que muito o seduziram. Pode-seaventar a hipótese de uma influência, leve mas duradoura, de Antokolskí sobre Segall escultor. Após ter realizado uma exposição em Paris, em 1932, Segall fundou, com outrosartistas, a Sociedade Pró-Arte Moderna SPAM — da qual foi, por assim dizer,  a alma. Duas desuas series mais importantes de pinturas tiveram Inicio em 1935: as interpretações danatureza de Campos do Jordão e os Retratos de Lucy (sua jovem aluna Lucy Citti Ferreira).Foram intervalos de calma, nos quais vibram tonalidades líricas. Em 1936, porém, o artistaestava de volta à antiga ambiência de tragédia e solidão: é a época de suas primeiraspinturas de temática social, que lhe garantiram um lugar de destaque entre os principaisexpressionistas do século. Essas pinturas preludiam a iminente conflagração mundial, os massacres, o genocídio,Pogrom, Na pio de Emigrantes, Guerra, Campo de Concentraçdo. Os Condenados e as gravura do álbum Visões de Guerra  (1940-1943) compõem uma dramática sequência de sofrimento, raras vezes expresso, em obras pictóricas, de modo tão intenso eprofundo. Uma grande exposição realizada em 1943 no Museu Nacional de Belas-Artes, noRio de Janeiro (não sem incidentes criados pelos pintores tradicionalistas ou acadêmicos),colocou definitivamente Sega 11 entre nossos maiores artistas. Em 1944 a temática dasprostitutas, que vinha desde os tempos da mocidade em Berlim, de novo irrompe nasgravuras do álbum Mangue.A mesma temática ressurge numa de suas últimas séries de pinturas, 4s Erradias, de 1949. Neste mesmo ano, tem inicio uma nova fase, interrompidapela morte em 1957: As Florestas. Lasar Segall é tipicamente expressionista. Enquadrando-secomo artista de técnica e temperamento europeus, pode também ser considerado brasileiro,não só porque viveu entre nós vários anos, chegando mesmo a se naturalizar, mas porque seinspirou em nossa gente e em nossas coisas, chegando, em certos momentos, a ser tocadopela luminosidade tropical. Foi excepcional como pintor, como desenhista, como gravador —nas três técnicas — e como escultor, Além do mais, contribuiu poderosamente para aimplantação da arte moderna em São Paulo e no Brasil, cujos limites culturais alargou. Suatemática é, no dizer de Geraldo Ferraz, a do sofrimento humano- O drama de sua raça judaica e, mais do que isso, o drama da raça humana, ameaçada de extermínio pela violênciae pela intolerância, motivaram-lhe os quadros mais sofridos. Segall nunca foi maior nem maissincero do que quando retratou os desamparados e os oprimidos-+, e em suas grandes obrasde cunho social chega a evocar o Goya dos Desastres de 1ª Guerra  e o Picasso de Guernica. No fim da vida tornou-se mais lírico, adotando por vezes tom bucólico ante a paisagem deCampos do Jordão; sentiu também o apelo do não-figurativismo, na série As Florestas, que presenciou experiências formais e cromáticas; mas tinha necessidade da figura humana paraexternar seus sentimentos. E é como grande pintor figurativo, um dos maiores que viveramno Brasil, que será sempre evocado.

Ismael Nery

Obra: Nu no Cabide
Descendente de índios, negros e holandeses, Ismael Nery, tinha dois anos de idadequando sua família se fixou no Rio de Janeiro; aos 15, matriculou-se na Escola Nacional deBelas-Artes, da qual foi aluno rebelde e displicente. Ao contrário de Di Cavalcanti, Tarsila e Vicente do Rego Monteiro, Ismael Nery buscava o universal: nunca o preocupou aeventualidade de uma pintura brasileira. Por outro lado, em toda a sua obra assoma um sótema: a figura humana. Foi, na verdade, um clássico, cevado na profunda admiração quedevotava a Ticiano, Tintorreto, Veronese e Rafael - admiração que estendeu a Chagall, Max Ernst e Picasso. Em sua produção, pouco extensa - cerca de cem óleos, apenas,e de um milheiro de aquarelas, guaches e desenhos, distinuem-se três fases: aexpressionista, de 1922 a 1923; a cubista, de 1924 a 1927 e a surrealista, de 1927 ao fim davida. Se artisticamente o período expressionista-cubista é o mais importante e fecundo(influência de Picasso), o último, marcado por Chagall, é historicamente o de maior relevo,tendo sido Ismael o introdutor do surrealismo entre nós.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Alberto da Veiga Guignard

Obra: Dança de Roda
Ainda adolecente, Alberto da Veiga Guignard, seguiu com sua família para a Europa ondecursou as academias de Arte de Florença e Munique, e expôs por duas vezes no Salão deOutono, em Paris. Referindo-se a si mesmo na terceira pessoa,Guignard disse, em 1960, que " de acadêmico passou a moderno , após ter visto umaexposição de arte moderna alemã: o modernsmo o fascinou." Em 1929, retornou ao Rio deJaneiro e lecionou na Fundação Osório e na Antiga Universidade do Distrito Federal, além demontar seu ateliê. De meados da década de 30 até o final da vida, Guignard evoluiugradativamente, sempre concedendo primordial importância ao desenho.Em 1944, mudou-se para Minas Gerais a convite de Juscelino e foi como paisagista queatingui seu apogeu sobretudo das séries Jardim Botânico, Itatiaia, Parque Municipal de BeloHorizonte, Lagoa Santa, Sabará e Ouro Preto. Guignard era dotado de excelente técnica,pintando em camadas finas, que se sucediam umas sobre as outras, à maneira dos antigos.Sua pintura é, preferentemente, lisa, ignorando o empaste.

Flávio de Resende Carvalho

Obra: Nu Feminino Deitado
Pioneiro da arquitetura moderna brasileira, pintor desenhista, escritor, Flávio de Resende Carvalho estudou na Inglaterra e sempre se distinguiu pelo arrojo e pelo ineditismo de sua atuação. Foi um inovador, acostumado, desde o princípio, a nunca pisar caminhos já sulcados.Sua originalidade revelou-se, por exemplo, no Bailado do Deus Morto,quando realizou cenários luminosos para uma sinfonia coreográfica de seu amigo Camargo Guarniere. Ouainda em sua ridicularizada tentativa de impor, aos brasileiros, um traje mais adequado ao clima do país, desfilando com um saiote pelas ruas de São Paulo. Grande pintor e desenhista ligado ao Expressionismo, teve na figura humana seu tema favorito, sendo famosos os retratos que fez de personalidades da vida cultural brasileira, como Mário de Andrade e JoséLins do Rego. Mas foi nos desenhos da Série Trágica, realizados junto ao leito de morte desua mãe, em 1947, que Flávio de Carvalho atingiu o auge de sua arte. Sobre esses trabalhos, escreveu Almeida Sales: "Não sabendo expressar-se mais profundamentedo que por intermédio de sua gagueira de traços acumulados sobre a folha alva, ousou transformar o quarto da mãe morrendo em ateliê de registro do estranho fato. Saiu da alcovatrágica como um deus que tivesse detido o processo inexorável da morte. De baixo do braço, folhas riscadas com carvão guardavam, indelevelmente, a mais extraordinária fotografia de todos os tempos: os últimos estertores da vida de uma anciã entrando na morte, fixado pelo homem nascido de suas entranhas".

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo - Di Cavalcanti

Obra: Samba

Possível autor da iniciativa de 1922, Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, artisticamente conhecido como Di Cavalcanti, nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Teve seutrabalho publicado pela primeira vez em uma revista, em 1914. Realizou sua primeira mostraindividual em 1917, como desenhista; era então na opinião de Mário de Andrade, "omenestrel dos tons velados", e utilizava como meio de expressão predileto o pastel, evocandofiguras femininas "de angelitude então em voga". Em 1921 realizou sua primeira exposição depinturas e em seguida presenciou a Semana de Arte Moderna, ao que parece originada deuma sugestão de Di Cavalcanti e Paulo Prado. Compareceu com 12 obras nas quais seobserva certa persistência de tendências passadas, como o Impressionismo e o Simbolismo,temperadas com algumas pitadas de Expressionismo. As críticas, como de costume aqualquer forma de mudança na arte da época, foram intensas e arrasadoras. Após a Semana,Di Cavalcanti embarcou para a Europa onde se dedicou exclusivamente à pintura e ondesofreu muitas influências no trabalho. Retornando ao Brasil realizou nova mostra e umaexposição individual. Mário de Andrade não poupou elogios aos seus trabalhos e à maneiraexplendida como mostrou o Brasil como ele é. Suas coisas, sua gente, sua alegria. A décadade 40 foi o apogeu do talento de Di Cavalcanti, que se tornou um dos mais notáveis pintores brasileiros gerados pelo modernismo.

Anita Malfatti


Obra: Estudante
Nasceu em São Paulo, em 1896, e seus primeiros estudos artísticos foram orientadospela mãe, pintora amadora. Em 1912 foi enviada para a Alemanha, a fim de cursar a Academia de Belas-Artes de Berlim, após curto estágio em Dresden. A própria artista, emdepoimento de 1939, assim descreveu esses primeiros tempos na Europa: "Em Berlimcontinuei a busca e comecei a desenhar. Desenhei seis meses dia e noite. Um belo dia fuicom um colega ver uma grande exposição de pintura moderna. Eram quadros grandes. Haviaemprego de quilos de tintas, e de todas as cores. Um jogo formidável. Uma confusão, umarrebatamento, cada acidente de forma pintado com todas as cores. O artista não haviatomado tempo para misturar as cores, o que para mim foi uma revelação e minha primeiradescoberta. Pensei: o artista está certo. A luz do sol é composta de três cores primárias equatro derivadas. Os objetos se acusam só quando saem da sombra, isto é, quandoenvolvidos na luz. Tudo é resultado da luz que os acusa, participando de todas as cores.Comecei a ver tudo acusado por todas as cores. Nada neste mundo é incolor ou sem luz.Procurei o homem de todas as cores, Louis Corinth, e dentro de uma semana comecei atrabalhar na aula desse professor." Após uma curta passagem pela Alemanha se dirigiu aParis e retornou ao Brasil em 1914 quando realizou sua primeira exposição individual. Em1917 após estudos feitos nos Estados Unidos realizou outra exposição. Criticas feitas ao seutrabalho por reacionário como Monteiro Lobato a desestabilizaram e sua obra declinou logoapós. Seus trabalhos foram expostos na Semana de Arte Moderna de 1922 e em outrasexposição onde foi premiada e consagrada.Para Mário de Andrade, outro expoente do modernismo brasileiro: "foi ela, foram osseus quadros, que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em lutapela modernização das artes brasileiras."
Obra: Tropical